Parques do Ceará e Rio de Janeiro terão investimento de R$ 1,28 bilhão até o próximo ano
Maior investidor em energia eólica do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), o grupo português HLC Brasil, baseado em Fortaleza e com dez anos de atuação no mercado, projeta investimento global de R$ 4,28 bilhões em novos empreendimentos. De início, prevê a aplicação de R$ 1,28 bilhão na instalação de sete parques eólicos com capacidade de geração de 342 MW. Essa capacidade será distribuída seis parques no Ceará (220,73 MW) e um no Rio de Janeiro (135 MW).
Os projetos deverão estar concluídos em dezembro de 2007, prazo definido para a primeira etapa do programa. Do global, R$ 880 milhões correspondem aos parques do Ceará. Das usinas previstas para o estado, a de Canoa Quebrada e Lagoa do Mato com início das obras em outubro, devem operar ainda em julho de 2007 e as demais (Paracuru, Icaraizinho, Foz do Rio Choro e Praia Formosa) até o final do mesmo ano. "O potencial de geraço previsto para o Ceará corresponde a 25% do consumo", informa Armando de Almeida Ferreira , diretor da companhia, para quem o estado tem as melhores condições de vento do território brasileiro.
De acordo com o empresário, o importante é ter ventos constantes: "O Ceará tem capacidade de gerar mais energia, pois o que conta é o número de horas que a usina vai estar rodando." Ele destaca que o Nordeste tem quase 50% de horas a mais do que Rio Grande do Sul. Atenta a esse potencial, a HLC tem mais 726MW em projetos de energia eólica para o estado, correspondendo à segunda fase do Proinfa e avaliados em torno de R $ 3 bilhões. "Com esses projetos concluídos, o estado ficará auto-suficiente em eólica e passará a exportador dessa energia", prevê Ferreira.
A geração eólica funciona de forma complementar à geração convencional hidráulica, com garantia de compra por 20 anos pela Eletrobrás. Os projetos podem ser financiados em até 70% do valor global. De acordo com Ferreira, a segunda etapa do programa deverá pressupor definições e regulamentação ara evitar o que ocorre hoje. Nesta primeira fase, o Proinfa prevê 1.422,9 MW, já contratados com Eletrobrás, somente de fonte eólica. Desse total, a capacidade de 200 MW já está construída no Rio Grande do Sul (150 MW) e Rio Grande do Norte (50 MW). "Além de nossos projetos, que começam a ser construídos no próximo mês, os demais estão parados, pois faltam equipamentos", assinala o empresário, ao apontar que a lei criou monopólio no setor.
Hoje existe no País apenas um fabricante de aerogeradores, a Wobben Windpower, que não consegue atender a demanda dentro dos prazos. "Precisamos mudar a legislação, pois os fabricantes não podem se instalar no Brasil em função das barreiras alfandegárias à importação", afirma o diretor da HLC Brasil, empresa parceira da Ceará Geradora de Energia (CGE), termelétrica que garante cerca de 30% de abastecimento de energia de Manaus. Segundo o empresário, também diretor-presidente da SIIF Énergies, empresa controlada pela inglesa Jantus, braço da HLC e detentora dos parques eólicos no Ceará e Rio de janeiro, a falta de regulamentação sobre o método do cálculo do índice de nacionalização e a total indefinição sobre a segunda fase do Proinfa também afetam o crescimento do setor.
O avanço do setor de geração
eólica nos Estados Unidos e Europa, que estão substituindo
a convencional, baseada em termelétricas, por questões
de preço e fornecimento de petróleo, também limita
a oferta de equipamentos para outros mercados. "Acontece que na
Europa, a partir de 2010, não haverá mais lugar para instalação
de parques eólicos e os fabricantes precisarão de alternativas.
O único mercado, além da Índia, China e Extremo
Oriente, com dimensão e potencial é o brasileiro",
diz. Para o empresário, o Brasil oferece todas as condições
para os fabricantes investirem em novas fábricas, aumentando a
competitividade, criando emprego e renda.
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